terça-feira, dezembro 30, 2008

Mudam-se os planos,
invertem-se as pessoas,
acabam-se os anos,
viram-se os dias.

Um segundo a mais para ser feliz,
um segundo a mais pra prolongar o fim.
Assim termina um ano ao avesso do que não foi,
cheio de mudanças, inversos, fins e viradas.

Ex-futuras memórias existem diferentes do que seriam
perdidas entre planos frustrados e repaginados.
O imprevisto talvez nunca será visto,
mas talvez refeito e novo.

Mas mudam-se mesmo os planos ou as pessoas ?
O futuro não mudou, pois ainda não aconteceu.
O futuro esperado é o pai das frustrações
e mãe das ilusões queridas.

"Dias de um futuro esquecido",
mas sempre lembrado pela mudança.
Será que mudamos o futuro ?
Ou apenas seguimos seu fluxo desconhecido ?

"Só o tempo poderá dizer, Warren!".

domingo, novembro 16, 2008

First Chapter - The Art of Change

Todo mundo tem que aprender alguma vez.

Aprender é uma ação que resulta em mudanças, sejam internas ou externas. É adquirir conteúdos diferentes daqueles que tinhamos, talvez somando coisas novas, talvez criando outras. Mas aprender é mudar.

Aprender é uma das ações que mais ocorrem nas nossas vidas, desde quando nascemos até (talvez) depois de morrermos. Mas a única condição para que isso aconteça é permitir-se aprender, é querer. E infelizmente, muitos preferem a ignorância, pois é mais fácil viver com ela. Não saber das coisas é confortável, você sempre pode se esconder atrás da desculpa de "mas eu não sabia". Mas sabia. (Depois que inventaram desculpas ninguém mais apanha, como diz o ditado).

O que causa isso ? (Além do benefício de ser perdoado, sem a necessidade de reparação do erro - hábito cada vez mais comum, diga-se de passagem)
Talvez o medo de mudar. Se não aprendemos nada, se não conhecemos nada diferente, permanecemos iguais, naquele espaço seguro, naquele ponto conhecido. Entramos numa eterna repetição de palavras, ações e afetos. Mas é seguro.

Aprender leva a mudar. Ninguém consegue descobrir que o vizinho espanca o filho e ficar sem fazer nada, algo que tem acontecer, algo tem que ser mudado. E essa posição de mudança, por vezes, é desconfortável ("Vou ter que trocar de lugar para esse casal sentar junto no ônibus").

Então é melhor fingir de cego, surdo e mudo. Nada vi, nada ouvi, nada falei. Nada senti.

É difícil, do nada, resolvermos mudar, apenas pelo prazer de mudar - simplesmente por que ele quase nunca existe. Não mudamos de casa por que deu vontade. Sabemos o trabalho que dá procurar outra casa, ajustá-la às nossas necessidades, empacotar tudo, levar para o novo lugar e se adaptar. Isso cansa, estressa, irrita. Mas talvez traga mais benefícios (fica mais perto do trabalho; é menos violento; é mais barato; etc).

Só mudamos quando é extremamente necessário, quando o lugar que ocupamos trás mais problemas do que soluções, mais desconforto do que satisfação (e mesmo assim às vezes continuamos sofrendo, sentado em cima de uma agulha, do que procurar outro lugar para sentar - porém só vamos até onde nosso corpo aguenta).

Mudar também trás incertezas, por mais que gostemos da casa, conhemos os vizinhos, o bairro, só vamos conhecê-la vivendo nela. A nova experiência nunca pode ser conhecida a priori, ela se contrói no encontro, na experiência em si. Vivendo nela, conhecendo-a aos poucos.

A incerteza é um fator de estagnação. Para mudar é preciso de coragem ("nada é certeza"), confiança ("Mas vai ser bom") e flexibilidade ("Mas se não for a gente dá um jeito").

Mudar é difícil. É um fato. Mas também uma necessidade. Algumas mudanças podem parecer fáceis : "Caneta ponta fina ou caneta ponta grossa?", outras não "Nova Iorque ou Paris?". Mas a dificuldade não se encontra na escolha, e sim na relação que temos com ela. Para alguém pode ser muito fácil decidir entre dois paises para morar durante 3 anos, em compensação escolher qual caneta usar no trabalho pode ser extremamente complicado, e por seus motivos pessoais, sem ter mérito da dificuldade. O que é difícil para um pode não ser para o outro. E isso devemos respeitar.

O máximo que podemos fazer pelo outro é ajudá-lo a decidir, oferecer suporte para qualquer que seja a escolha, apoiá-lo para que se decida, dar um local de refúgio caso seja necessário.

Esse é outro ponto importante para a mudança. É ter em quem confiar se tudo der errado. Ter pessoas que vão te ajudar caso nada saia da maneira que deveria ter saído. É saber que mesmo tendo apostado todas as fichas pode haver alguém que te ajude a achar mais uma no chão.

Tudo isso entra no "cálculo do risco" de mudar. Mas quando uma situação se torna insustentável, não há risco que nos impeça de mudar. Essa insustentabilidade nos oprime, nos esmaga, nos faz sofrer - e possibilidade de escapar disso é nossa única esperança. É a força da necessidade de mudar que nos impulsiona para o desconhecido.

Atirar-se no escuro, torcendo para que encontremos algo para nos agarrar, que encontremos um solo duro o bastante para aguentar o nosso peso. É isso que esperamos encontrar.

A esperança de algo melhor, advindo da mudança, também nos leva à isso.

Requisitos básicos: a (falsa)certeza (=Fé) de que tudo vai dar certo e a esperança. Isso somado a necessidade temos então o combustível para a mudança.

Infelizmente, às vezes, ela não é aceita pelos outros. E isso pode ser importante. E então temos outras lutas para serem lutadas. Não basta o esforço de mudar, também temos que viver ao esforço de sustentar essa mudança. Talvez esse seja o maior peso que tudo isso trás.

Mudar exige isso: Coragem. Acima de tudo.
Chapter Zero - Re-starting

Novo fôlego. Era o que o Blog precisava. Porém, não dá para tirar isso do nada. Tornou-se preciso começar do zero. Não abandonando tudo o que já foi feito, escrito e publicado. Mas começando um novo "livro".

Só foi possível chegar aqui graças aos "capítulos anteriores", eles são importantes para marcar o terreno que adentrarei, são as bases para o hoje e para o amanhã. Esquecê-los ou apagá-los seria como ignorar mais de 3 anos de Blog. Seria ignorar 4 anos da minha vida. Ainda consigo ler cada postagem e lembrar o exato motivo de cada um deles, mesmo que isso não fique explícito e cada um deles.

São memórias amarradas. Uma trilha de farelos de pão para saber por onde passei, onde cai, onde fiquei e onde não andei. São os pontos, os marcadores da minha vida.
Por vezes foi um amigo com quem eu podia falar, e que certamente me ouviria. Válvula de escapa para medos, ansiedades, felicidades e criatividade.

Mas ele foi morrendo aos poucos. Fui me afastando, a vida exigia mais tempo para viver e menos para escrever. E por um lado isso me afetava, pois sempre escrevi com muito carinho (com o blog) e abandoná-lo seria destruí-lo, transformá-lo em um objeto perecível com sua data de vencimento se aproximando.

Então o recomeçarei do Zero. Mudando (novamente) o título, não mais: "Living Between Heaven and Hell", ou "Just Like Heaven". A Arte de Viver é isso, é mover-se entre o Céu e o Inferno, às vezes parecendo como o Céu, às vezes não. É saber caminha sozinho, acompanhado, com raiva, apaixonado, triste, feliz, inspirado, cansado, entediado, enciumado, surpreso, chorando ou sorrindo. Viver é uma Arte, onde cada um pinta seu quadro, esculpe sua escultura, canta sua música ou escreve o seu livro. E essa é a minha Arte de Viver: Escrevendo e vivendo.

Que essa iniciativa seja inspiradora, criadora, filosófica e contínua.
Esse é o prefacio da arte de viver. Infelizmente não existe um prefacio para vida. Já começamos no capítulo 1.

segunda-feira, outubro 13, 2008

Como é difícil dizer até mais para as coisas que mais amamos. Nos afastarmos mesmo que por pouco tempo daquilo que gostamos tanto de estar por perto. Mas chega uma hora que temos que ser confrontados com a realidade que nos cerca, com nossos deveres e responsabilidades.Time to go is time to go.
Mas mesmo sabendo, é difícil se prender a isso.
.
.
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É difícil dizer tchau.

sábado, outubro 11, 2008

E com quem eu estou apostando ? Comigo mesmo ? Ou com alguém outro ?
Deve ser com os dois.
O fato é: eu preciso seguir em frente, não posso ficar cristalizado, preciso fluir, transformar e seguir em frente. Não prender.

E fica a questão: Como faço isso ?

sexta-feira, setembro 05, 2008

Como estou hoje ?
Irritado, ótima classificação.
Com raiva, odiando, estressado, bravo, grosso, estúpido, sem paciência, sincero.
E quem causou isso ?
Muitas pessoas, muitas coisas.
Quantas ajudaram esse estado continuar igual ?
Muitas pessoas e muitas coisas.
Quem sofre com isso ?
Muitas pessoas.

"It's been a bad day. Please don't take a picture"

Acordei com o ovo virado. Muito virado por assim dizer.
Espero que melhore - é o que as pessoas no máximo conseguem me oferecer.
Grande ajuda!
Quer saber ?

Pro inferno tudo isso. E todos.

domingo, agosto 24, 2008

O tédio pode matar.
Isso é fato.
Talvez não matar, como em um homicido.
Mas sim o causador de um suícidio.
Se você morre tem um novo mundo para descobrir(ou não).
Se viver, terá novas formas de se relacionar com as pessoas, agora com medo. A morte estaria perto delas, alguem que a tocou e voltou. As pessoas temem os suícidas. Como se fosse algo contagioso. Talvez porque seja a morte o maior criador de pensamentos. Não há ninguem que nunca tenha parado para pensar nela, imagina-la chegando, tocando-a.
Ou então, sempre colocamos a vida em perspectiva próximo da morte.

Mas o assunto é o tédio. E talvez o pior de todos seja aquele que surge mesmo quando você esta fazendo um milhão de coisas. Ocupado, mas entediado. Normal, não ?
Cansado de fazer as coisas iguais. Tentar fazer diferente nem sempre é uma opção.
Então o que temos ?
Nós, chateados, precisando do outro - esperando ser salvo pelo outro.

Acho que estou entediado de estar entediado.

segunda-feira, agosto 18, 2008

Sometimes you're so happy that you don't have any words to express it.
Is such a good feeling... you just want to scream as loud as you can, hoping this happiness stays forever.


But you know is momentary.
But you make it last forever.

Is so good to love.
And be loved in return.

sexta-feira, julho 25, 2008

Esta é minha maneira de dizer adeus
Porque eu não consigo fazer isso cara a cara
Estou conversando com você
Antes que isso seja tarde demais
Através de meu videotape

Não importa o que acontece agora
Eu não terei medo
Porque hoje eu sei que terei tido
O dia mais perfeito que eu sempre vi
Fim de Julho, praticamente. As férias não voaram, passaram normalmente, mas mesmo assim foram insuficientes.Todas as promessas não foram cumpridas.Esse é o meu porém, nunca são.

Se me diverti? Provavelmente mais do que qualquer outra.Os motivos? Diversos.

Apesar de ter cometido meus erros com algumas pessoas, espero que elas possam entender meus motivos, mesmo que não saibam.
Mas fico feliz de ter conhecido pessoas novas. Que tomará que continuem por perto por um longo tempo.

Com apenas alguns dias antes de voltar para aonde mora minhas responsabilidades, eu escreverei no Blog, para mante-lo vivo.Uma prova de que passei por aqui.

quarta-feira, maio 21, 2008

You just want somebody listening to what you say, it doesn't matter who you are.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Como seria ser tomado por um impulso de largar suas obrigações por um dia para ir à um lugar que não faz o menor sentido ? Nesse local nada de especial existe, mas você sente que lá era onde você deveria estar.Minutos depois, já se sentindo bobo, decide ir embora.Hesita por um minuto, e de repente nota que não esta mais sozinho, outra pessoa, aparentemente procurando por algo, esta ali.Diferente de você, ela parece não se sentir boba.

No caminho de volta para casa, aquela pessoa está esperando pela condução para ir embora também, novamente um impulso te faz oferecer uma carona, e ,como se o destino não fosse irônico o suficiente, ela esta indo para o mesmo lugar que você.Aquele dia, que prometia ser apenas mais um dia torna-se algo inacreditável, e logo você se apaixona por aquela estranha pessoa.E então se sente idiota, afinal como alguém se apaixonaria por outra pessoa que acabou de conhecer ? Mas para seus sentimentos não importa o tempo, apenas o modo como seu coração bate diferente.

Como uma fantasia, você vê nos olhos da outra pessoa que ela também está apaixonada por você .E há outro momento de hesitação.O que está acontecendo ? Minutos depois você está em casa. Antes de entrar o carteiro o chama para entregar as correspondências em suas mãos.Você e a pessoa estranha se sentam no sofá.Para sua surpresa há uma fita no envelope, a curiosidade é mais forte que a felicidade de estarem juntos.Quando a fita começa a tocar você reconhece sua voz, mas não tem a menor lembrança de tê-la gravado.

Passam se alguns segundos para que a explicação chegue, você está participando de um procedimento não-cirúrgico para apagar de suas memórias justamente a pessoa que está do seu lado, um pesado silêncio misturado com assombro, dor e confusão fica entre os dois.A fita continua enquanto os dois não conseguem se olhar, você por não lembrar de ter dito aquilo e a outra pessoa por escutar coisas que ela reconhece em si e que apenas alguém que a conhecesse muito intimamente saberia.

O que fazer uma vez provado que aquilo é verdade? Seguir em frente até o momento que o fez querer esquecer o outro para sempre ou interromper naquele exato momento, aquilo que vocês dois passaram, antes que tudo de errado ?

É exatamente aí que acaba o filme "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças", de Michel Gondry - 2004.Muitos assistiram o filme,mas no final nem todos conseguiram contemplar toda a beleza e a tristeza que o filme tem, desde os momentos que mostram o amor entre Joel e Clementine até o desgate da relação deles.Tudo isso para que no fim eles se conhecessem de novo.

Estou dando um tempo na teoria que comecei no post anterior, pois preciso de tempo para organizar a segunda parte.E hoje assisti novamente esse filme maravilhoso, que talvez ocupe a posição número um dos melhores filmes que assisti.Não importa quantas vezes eu o assista, sempre é como a primeira vez, como se eu tivesse apagado a história das minhas lembranças e me apaixonasse infinitas vezes pelo mesmo filme.Ou talvez porque no fundo imagino que há um final feliz depois dos créditos.Joel e Clementine jogam fora as fitas, e decidem construir algo novo, apenas mantendo em mente que eles nunca gostariam de chegar ao ponto de desejarem se esquecer, e isso se torna o único ponto de referência para o seu primeiro passado.

Esse filme também mostra numa prática fantasiosa o tema do Eterno Retorno, idéia trabalhada por Nietzsche.De maneira romântica e narrativa vemos um casal que se conhece, se apaixona, se odeia e se separa, e logo em seguida se conhecem novamente, repetindo infinitamente as mesmas escolhas, sem notarem que a repetem.Freud sustentado nessa idéia criou o termo Compulsão à Repetição, que na Psicanálise (de forma resumida) significa as repetições que fazemos inconscientemente durante a vida, seja escolhendo os mesmos tipos de parceiros, os mesmos tipos de amigos, os mesmo erros nos mesmos lugares, e que raramente nos damos conta de que estamos repetindo.E mesmo quando isso acontece, quase nunca mudamos aquilo.

Estamos sempre encontrando nossas Clementines e Joels pelo mundo, cometendo os mesmos erros.Nem mesmo Freud conseguiu chegar num consenso sobre o porque fazemos isso, durante a evolução de sua teoria ele pensou em várias coisas, mas nem no fim de sua vida chegou a uma conclusão.A primeira impressão é de que repetimos para tentar chegar numa resolução melhor, erramos sempre igual na tentativa de reparar o "erro inicial", aquele que desencadeou nossa eterna repetição.No entanto, Freud notou que mesmo quando fazemos diferente ou conseguimos resolver um problema de forma satisfatória, quase sempre continuamos agindo da mesma maneira.

Será que podemos sair desse círculo vicioso eterno ? Talvez não.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Lá e volto outra vez ...

Já se passou um mês desde minha última visita, ou melhor, postagem.
Até o momento pensei em escrever várias coisas, porém nenhuma delas interessante o suficiente ou que eu realmente permitiria que as pessoas lessem...haviam também as coisas que eu gostaria que algumas pessoas soubessem, mas não seriam moralmente aceitas, no fim cá estou, com algo para escrever... é uma teoria, na verdade é uma visão de mundo,nada foi preparado antes, apenas a idéia principal:

As Relações Utilitaristas :

Não é um assunto "feliz" para se tratar , principalmente por ser um tanto pessimista, pelo menos em seu ponto de vista.Mas o triste não é o assunto, e sim que isso ocorre tão banalmente que me assusta.Talvez eu não consiga terminar meus pensamentos em um só tópico,então posso não terminá-lo hoje.
Gostaria de destacar alguns dos relacionamentos que a prática utilitarista acontece, muito vísivel na grande parte das vezes.Na verdade eu poderia descrever tudo de modo simples e único, e que cada um faria suas conexões e leituras, porém acredito que cada tipo de relacionamento tem suas exceções, não que isso mude muito do que será escrito mas acredito que são nos exemplos que temos as melhores chances de se tornar claro.Sem mais delongas vou me iniciar.

Quais tipos de relações poderiam ser observadas ? Farei alterações ao longo da escrita.Podemos classificar dois tipos de relações como :
  • prioritariamente de amor; e
  • prioritariamente de ódio.
Inicialmente isso pode parecer um tanto maquineista, querendo dualizar como bem e mal, no entanto essas caracterizações são na verdade criadas pela moral de quem as observa, e nesse caso eu estaria dualizando o bom e o mau.Sabemos que sentimentos e relações, e várias outras coisas no mundo são ambíguas, e é por isso que marco na frente de amor e ódio a palavra prioritariamente.Nesse caso ambíguo não significa 50-50, mas sim qualquer porcentagem diferente de 100.Agora se essas relações são boas ou ruins, depende apenas daquele que a vive, e com qual objetivo o faz.

Vou iniciar com os relacionamentos prioritariamente de amor, pois é mais simples de ser visto, já sua contra-parte será necessário uma divagação mais complexas que não será mais difícil se for acompanhada dessa primeira parte.Digo que falar sobre relações utilitaristas de ódio é mais complexo pois a primeira instância não nos parece possível falar em utilitarismo do ódio, principalmente nas relações, mas mostrarei que é possível.

Nas relações prioritariamente de amor podemos destacar :

  • Namoro;
  • Casamento;
  • Amizade;
  • Solteiro - sim, estar solteiro é estar em relacionamento com :
  1. várias pessoas; ou
  2. consigo mesmo.
Antes de me especializar em cada um dos temas, é necessário que eu esclareça o que quero dizer com Utilitarismo, e a partir daí ver outros conceitos que permeiam essa teoria.Ficara muito claro o que quero dizer, porém detalharei cada caso como se fossem exemplo.
Assim comecemos pela palavra principal :

Utilitarismo

A fonte das minhas informações vem de um artigo do Wikipédia.Resumidamente, podemos categorizar o utilitarismo como um conceito filosófico, derivado da doutrina Ética que prescreve uma ação (ou inação) que o objetivo de preservar o bem-estar dos seres humanos.Pode-se resumir em uma frase : "Agir sempre de forma a produzir a maior quantidade de bem-estar".Porém ele é definido como diferente de egoísmo, porque insiste no fato de que devemos considerar o bem-estar de todos e não o bem estar de uma única pessoa.No entanto, podemos pensar num egoísmo mútuo, ou grupal.

Existem 5 princípios fundamentais que definem o utilitarismo:

  1. Princípio do bem-estar: Toda ação moral tem como objetivo o bem-estar, seja este físico, intelectual ou moral;
  2. Consequencialismo: A única coisa de deve ser julgada moralmente é a consequência das ações, logo que as faz não cabe ao julgamento, ou seja, é indiferente se o agente da ação agiu de forma generosa, interessada ou sádica, pois são as conseqüências que são morais.Assim, para o utilitarismo, dentro de circunstâncias diferentes um mesmo ato pode ser moral ou imoral, dependendo se suas conseqüências são boas ou más;
  3. Princípio da agregação: O que conta é a quantidade global de bem-estar produzida, qualquer que seja a repartição desta quantidade. Sendo assim, é considerado válido sacrificar uma minoria, cujo bem-estar será diminuído, a fim de aumentar o bem-estar geral:a desgraça de uns é compensada pelo bem-estar dos outros. Se o saldo de compensação for positivo, a ação é julgada moralmente boa;
  4. Princípio de otimização: O utilitarismo exige a maximização do bem-estar geral, o que não se apresenta como algo facultativo, mas sim como um dever;
  5. Imparcialidade e universalismo: Os prazeres e sofrimentos são considerados da mesma importância, quaisquer que sejam os indivíduos afetados. O bem-estar de cada um tem o mesmo peso dentro do cálculo do bem-estar geral.Este princípio é compatível com a possibilidade de sacrifício. A princípio, todos têm o mesmo peso, e não se privilegia ou se prejudica ninguém – a felicidade de um rei ou de um cidadão comum são levadas em conta da mesma maneira.

O Utilitarismo é amplamente usado para explicar fatos econômicos, porém farei um deslocamento desse pensamento para relações inter-pessoais.

Namoro:
Minhas exemplificações são baseadas em observações ao longo da vida, e como caracterizar o Namoro Utilitarista ? Simples, basta colocar na práticas os 5 princípios da teoria.Mas seria o utilitarismo uma característica da relação ou será que dos indivíduos nos relacionamentos ?Acredito que a segunda afirmação é verdadeira, pois se pensarmos no princípio do consequencialismo as relações em si são vazias moralmente, namoro é bom e mau, logo neutro, mas quem o transforma são os indivíduos dentro dele.

Vemos constantemente, na literatura, nos filmes, nas novelas, nas músicas caso iguais, de namoro destruidores, onde ambos ou se anulam, ou se sobrepõem ao outro, porém nada disso é suficiente para que eles terminem.Apesar da dor, do aparente mal-estar, descobrimos que existe algo no fundo que supera tudo isso, um bem-estar maior.

E é no cálculo do bem-estar que descobrimos que essas pessoas são regidas numa relação de que é sempre o bem-estar que deve ser o objetivo, 'posso ter problemas no meu relacionamento, sofrer, no entanto é melhor do que estar sozinho', não importa se aquilo é destrutivo para a sua vida, se aquilo não esta te levando há um lugar melhor.'Eu tenho com o outro coisas que não terei sozinho', há uma troca de pouco por quase nada.Esse seria o caso de anulações, onde várias vontades são suprimidas (princípio da agregação) pelas duas partes para que o bem-estar seja alcançado por todos (os dois, ou três, depende dos envolvidos no relacionamento).

Mas existe também o caso onde um dos dois é totalmente sacrificado em nome do bem-estar de um.Uma minoria, geralmente a parte mais fraca, perde seus direitos, vontades, desejos para que o outro tenha o dever de ter seu bem-estar maximizado.E mesmo assim, esse total sacrifício é recompensado, o suficiente para que ele continue no relacionamento, não é possível colocar em números absolutos, mas é imaginável que o mesmo deva considerar as consequências de sua anulação como algo bom, pelo menos para ele existe um ganho, talvez a existência do relacionamento, um carinho, uma companhia.

Casamento:
Muito do que foi dito sobre o namoro pode ser colocado nas exemplificações do casamento, afinal podemos considera-lo como uma "evolução lógica" do relacionamento.No entanto, os ganhos e motivos de anulação podem ser diferentes.O próprio casamento cria certas imposições que não existem no namoro, agora o sustento da casa (a edificação, materialização da "estabilidade" relacional dos indivíduos) é objetivo dos dois, eles devem se manter, ou então , um deve manter o mais desfavorecido, e isso cria as obrigações de estabilidade.

Essas obrigações em nome do bem-estar de todos (pode ser da esposa, do esposo, dos filhos) os força a viverem numa relação utilitarista, onde não deve importar o que é feito, e sim se é para algo bom, 'tenho que continuar casado, pois tenho que cuidar dos meus filhos, não importa que meu casamento com meu marido não esteja bom, mas é para o bem de todos', ou então, 'não tenho como me sustentar sozinho, mesmo podendo estar num relacionamento melhor não posso deixá-la porque não teria dinheiro'.

Uma característica comum no utilitarismo é a necessidade do outro, é precisar de alguém e pagar na moeda que se pode utilizar, 'não tenho emprego, então pago o que recebo como uma ótima dona de casa (desesperada no interior)'.Mas não quero dizer que a única cumplicidade dentro do casamento seja a dependência material, pelo contrário, as vezes esta nem existe, é que essa é uma diferença com o namoro, onde, geralmente, cada um tem suas finanças individuais.É lógico que no casamento ainda exista muito do que foi dito no namoro.

Amizade:
Para mim é um dos pontos mais difíceis de se falar, por se tratar de um tipo de relacionamento acima de muitos, nele é possível ser mais verdadeiro.Na verdade o fato dele estar aqui relacionado é um tanto conflituoso, ou devo dizer, paradoxal.Isso acontece pelo que ele representa.Vou apresentar um concepção de amizade que eu acredito ser resumidamente verdadeira:

Provavelmente o interesse dos amigos são parecidos, e demonstram, entre si, um senso de cooperação. Muitas vezes é baseada em comportamentos como:
  • a tendência de desejar o melhor para o outro;
  • simpatia e empatia;
  • honestidade;
  • lealdade.

Geralmente a amizade leva a um sentimento de lealdade entre si, ao ponto de colocarem os interesses do outro à frente de seu próprio interesse. Amizade resume-se em lealdade, confiança e amor, seja fraterno ou mais profundo e como Carl Rogers (Psicolólogo Humanista) diz: "é a aceitação de cada um como realmente ele é".


Faz parte da amizade, não exacerbar os defeitos do outro e dividir os bons e maus momentos.Os amigos se sentem atraídos pelos outros pela forma que eles são e não pelo que eles possuem. As verdadeiras amizades tudo suportam, tudo esperam, tudo crêem e tudo perdoam pelo simples fato de existir entre eles o verdadeiro amor, também conhecido como amor philéo = amor de amigos.

Levando em consideração essa concepção de amizade, parece totalmente irracional falar de uma Amizade Utilitarista, e concordo, pois é um relacionamento escolhido pelas pessoas e não impostas há elas, além de que aparenta ser um tipo de relacionamento que é naturalmente o bem-estar sem qualquer sacrifício.Mas não me é estranho ver amizades utilitaristas, logo, seriam mesmo uma amizade verdadeira, pura como ela deveria ser ?

Com essa indagação devemos pensar que é uma relação de amizade e não Amizade propriamente dita, ou melhor podemos dizer que é um coleguismo, uma relação que utiliza alguns dos pontos da Amizade, porém com uma força de ligação mais fraca.A Amizade seria o último estágio do relacionamento entre amigos, e como último também deve-se esperar por maiores dificuldades de se alcançar.

Essa amizade utilitarista tem como característica a habilidade de ser dissolvida, com uma aparente finitude.Se levarmos em consideração que a amizade é uma escolha mútua (pois não me é concebível que exista uma amizade unilateral), ela tem o objetivo de encontrar o bem-estar, porém quando esse é inalcançavel ou seja ao fim esse relacionamento se esgota, e consequentemente acaba.Diferente de um namoro, ou um casamento, normalmente relacionamento com duas pessoas envolvidas, na amizade é possível que existam vários amigos, o que dá vazão para que esse relacionamento se esgote.Ao longo da vida as pessoas vão conhecendo novas pessoas, algumas com interesses mais parecidos, outras com interesses totalmente diferentes e é nesse jogo de escolha que as pessoas se aproximam e se distanciam.

A amizade utilitarista é essa que se esgota, e podemos mudar de grupo, mudar de amigos, sempre estando o mais próximo do maior bem-estar possível.Quem me agrada hoje, pode não o fazer amanhã, e quando não me compensar mais irei atrás de outros, e nessa jogada todos trocam de cadeira.No entanto é difícil distinguir de amizades verdadeiras de amizades utilitaristas, a principio elas compartilham várias caracteristicas, e talvez, infelizmente, só seja possível saber de qual se trata no único ponto que elas se diferem, ou seja, em sua finitude.

Mas algumas vezes é possível que haja outros sinais durante esse relacionamento, e um deles é o comportamento : "a tendência de desejar o melhor para o outro", isso é algo que as vezes não acontece pois estamos desejando o melhor para nós mesmo e o amigo as vezes aceitara o que lhe fizerem, mesmo que não lhe seja bom, em nome da amizade faço pequenos sacrifícios para o bem-estar do outro.

Uma amizade pura se revelaria sem a necessidade de sacrifícios, pois ambos fariam apenas o que fosse bom para ambas as partes.É lógico que uma amizade sempre assim é um pouco difícil de se imaginar, então devemos coloca-lá como até certo ponto como utópica, mas se colocássemos uma escala veríamos que apesar de ser "inalcançável" podemos estar sempre tentando chegar lá.Sim, as vezes fazemos pequenos sacrifícios de nossas vontades e nome de nossos amigos, mas em que quantidade ? Estamos sempre reprimindo a vontade dele, ou em poucas vezes.O sacrifício dele lhe retorna na forma de um sacrifício meu posteriormente, ou presumo que era obrigação dele, e logo, não deve ser agradecida.São estas pequenas características que nos aproximam de uma amizade prioritariamente utilitaristas ou se se aproxima de uma amizade pura.

Isso me leva há outra questão, temos amigos pelo carinho que gostamos de receber ou de dar ? Como já dito anteriormente a característica do utilitarismo é a necessidade do outro, ou seja, fazemos algo para receber o mesmo ou outra coisa em troca.Gostaria de repetir, que não estou fazendo juízo de valores, afirmando que amizades utilitaristas são boas ou más, isso depende dos valores morais de cada um, pelo pensamento utilitarista o que define isso é a consequência, se é bom para ambos, então é bom.Cabe a cada um julgar seus relacionamentos, basta alguns momentos de reflexão para ver onde nos encaixamos.

Solteiro:
Estar solteiro pode colocar a pessoa em diferentes situações, como poder ficar com várias pessoas diferentes (ao mesmo tempo, ou não) ou estar sozinho.Na primeira opção vemos um misto entre o namoro e a amizade, onde o relacionamento afetivo mistura a possibilidade da troca assim que o bem-estar se esgota com o prazer trazido pelas relações mais carnais.Nesse caso, temos um relacionamento direcionado para o prazer, que leva em consideração os outros apenas no que diz respeito a importância disso para si próprio, ou seja, 'só me preocuparei com o outro nos pontos que podem afetar meu bem-estar'.
Na situação de estar sozinho, o solteiro pode se beneficiar de encontrar o bem-estar em sua liberdade em relação aos outros, não existe o outro para a busca da satisfação, e não digo sexual, pois devemos lembrar que bem-estar esta ligado ao físico, intelectual e moral.
É nesse cenário que vemos pessoas que entram nele assim que um previamente não lhe trazia mais benefícios, não tanto quanto o que o status de solteiro pode lhe trazer, assim como aqueles que nele estão podem optar por deixá-lo assim que este não lhe seja mais confortável.

É possível existir uma relação Altruísta ?

A palavra Altruísmo foi cunhada pelo filósofo francês Augusto Comte e designa a idéia de solidariedade e usada para caracterizar o conjunto das disposições humanas (individuais e coletivas) que inclinam os seres humanos a dedicarem-se aos outros.Nesse caso, é pode ser confundida com os sacrifícios que citei acima, mas não é o que acontece,pois dedicar-se aos outros não pressupõem abrir mão de suas vontades, mas sim fazer aquilo que você pode fazer sem cobrar nada em retorno.

Comte também apresentar o Altruísmo em três modalidades básicas: o apego, a veneração e a bondade. O apego refere-se ao vínculo que os iguais mantêm entre si; a veneração refere-se ao vínculo que os mais fracos têm para com os mais fortes (ou os que vieram depois têm com os que vieram antes); por fim, a bondade são os sentimentos que os mais fortes têm em relação aos mais fracos (ou aos que vieram depois).
Diria que a forma mais eqüalitária de relacionamento Altruísta seria o de apego, onde os dois envolvidos, ou mais, mantém seu vínculo de forma igual, onde o amor dado é recebido em amor, sem obrigação mas por vontade e possibilidade.

A existência de um relacionamento altruísta pode parecer utópico, mas creio ser possível, através da sinceridade com os próprios sentimentos, com os outros.Dessa forma nossos laços podem se apertar, mesmo que as vezes possa ser difícil encontrar pessoas assim, tenho fé que todos encontraram pessoas com quem possam desejar viver a vida toda de forma feliz e altruísta.


No próximo post vou tratar dos Relacionamentos prioritariamente de ódio, e a conclusão da teoria.Posso atualizar esse texto posteriormente.

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quinta-feira, janeiro 03, 2008

Uau, já é 2008, faz um tempo que não escrevo(como se isso fosse novidade). Muitas mudanças ocorreram desde o ultimo post. Algumas boas, outras nem tanto, e outra que ainda serão boas.Bem, gostaria de começar a primeira postagem do ano relembrando os ultimos momentos do passado. As féroaias continuam sendo o que sempre foram, sem muitas atividades, algo bem jocoso, mas tudo bem, com o tempo a gnt acostuma(que triste isso).
Mas garanto que em relação à férias passadas essa tem sido bem mais movimentada, talvez não o tanto que eu gostaria, mas mesmo assim pode ser considerado feliz, bom. Conhecendo pessoas novas, saindo para lugares novos, e assim por diante.
Mas alguma coisa mudou (seria uma consequência dessas férias "diferentes" ?), o ano começou trazendo sentimentos, sensações e desejos de diferença, de mudança, um espirito indignado com a passividade e com o comodismo, se isso continuara nem Allah sabe, mas espero que sim.Esse é o tipo de sentimento que impulsiona você para o novo, para o "como fazer diferente".
Infelizmente não é sempre que podemos fazer diferente, o que me revolta, mas certas coisas nunca vão mudar, ou então levam tempo.Tudo bem (por hora).
As músicas são novas, os filmes estão diferentes, os livros tbm. Where is my mind ? ¬¬
OK, tudo mudou, mas e daí ?
O fato de eu estar escrevendo aqui pode ser um resultado da mudança. Ontem estava relendo todas as postagens que fiz, e é engraçado, lembrar os motivos pelos quais escrevi aqui, lembra nos momentos que estava vivendo, sentindo.Algumas coisas permanecem, mas outras seriam muito bem reescritas.
Também me comprometi a escrever uma pequena crônica no blog, como forma de agradecimento, de homenagem e de vontade de se expressar, porém ainda não fui iluminado por uma idéia a ser desenvolvida, talvez mais tarde a luz venha.
Por enquanto fico com apenas uma mudança (acho que essa vai ser a minha palavra do ano.O mais irônico é que este é o primeiro final/começo de ano em que não estou mudando de casa lá em Assis. Será que agora, bem estabelecido, estou pronto para novas mudanças ? No minimo Irônico) ... continuando... o nome do blog, hoje ele deixa de ser conhecido como "Living in Hell, Based on true stories" e segue em frente.O estilo continuara o mesmo, mas seu nome não.
Lembro me de uma vez ter discutido sobre o aspecto terapeutico de se escrever num blog, como já foi citado em pesquisas realizadas no Japão (ou seria China, ou outro lugar ?), e que esse aspectos poderia estar terminando, basta olha como o numero de postagens vem caindo.Cada vez tenho mais certeza sobre isso.É como um diário, aberto a quem quiser ler, (in)felizmente não é algo que aconteça muito, mas esta exposto, para quem quiser.Sendo assim, recomendo a todos disposoto a compartilhar sua vida com ilustres conhecidos e desconhecidos, anônimos ou não.
O novo nome está aí em cima, para todos que entrarem no blog.
Minhas indagações continuam mais tarde...