quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Lost or Found ?

Imagine a seguinte trama:

Um grupo de pessoas, aparentemente sem qualquer conexão, embarcam para um novo destino, alguns fugindo de dificuldades de relacionamento com pais, amores, amigos, outro fugindo de seus segredos, tentando uma nova vida, escapando da má sorte, procurando aventuras. O destino de todos é o mesmo. Mas nenhum deles termina aonde achavam que chegariam.

Se vêem presos num local estranho, cheio de segredos, novidades, desafios, Outros habitantes. E aos poucos conexões começam a surgir. Um era o melhor amigo da namorada do outro, um estudou na mesma sala que outra pessoa etc. Começam histórias de redenção, salvação, mudança, auto-conhecimento, sacrifícios.

Do que estou falando ? Da experiência de Lost ou da experiência de Assis, da república ?

Uma paixão em comum acabou por se mostrar uma metáfora das nossas experiências pessoais.

E tudo que você encontra em um você também acha no outro. Veja os exemplos:
As questões de Liderança, os misteriosos animais (Vicente, Ursos polares, Cão Caolho, Janis, Stitch), Branco e Preto ( as pedras dos esqueletos, o jogo de gamão, os moradores da rép.), Livros ( A Tale of two Cities, Alice no país das maravilhas e através do espelho, Catch-22, Senhor das Moscas, A odisséia(a deles e a nossa) ,Stranger in a Strange Land, O mágico de Oz, entre tantos outros livros que batem com as nossas vidas).

Existem as Coincidências ( na série nem é preciso exemplificar, nem nos nossos encontros e desencontros), as Conexões entre os personagens, os Sonhos (que nos revelam coisas, nos ajudam a entender, e que também deciframos com os amigos), experiências com Eletromagnetismo (como colocar uma panela no microondas foi quase como não digitar os números), Destino Vs. Livre-arbítrio ( várias discussões sobre esse assunto), os Jogos ( gamão, xadrez, Golf, Ping Pong, Poker, Duvido, Perfil, Wii), Bem ( quem são os Good guys e os Bad guys ? Dharma, Hostis, Outros, nós, eles ? ), Ironias ( estátuas da virgem maria cheias de cocaína serem encontradas por um usuário; pessoas que nunca morariam juntas acabam sendo ótimas companhias de rép), Isolamento ( em busca do auto-conhecimento, de viagens para o interior, trancar-se no quarto em busca de respostas), Vida e Morte ( seja de amigos, parentes, animais), Parapsicologia (as coisas inexplicáveis que ocorrem), problemas com os pais ( Jack- Christian, Locke-Sawyer, Kate, Charlie-Pai, Penny-Charles, nossos problemas familiares).

Filosofia ( Desmond David Hume, John Locke,Rousseau, não temos outros nomes filosóficos, mas temos nossas conversas),  Gravidez ( Até agora nenhuma), Psicologia ( nem preciso comentar), Chuva (algo ruim vai acontecer na série, na rép. pode ser uma infiltração ou algo pior), Redenção ( fazermos certo dessa vez), Problemas de Relacionamentos (quem não tem ?),  Religião ( Mr. Eko, Men of Science, Men of Faith), Rivalidades ( Sayid, Jack, Sawyer, Jin, Juliette, entre outros, he he he), Segredos (que só revelamos para alguns, às vezes só nos divãs da vida).

Temos vários momentos de flashbacks, seja nas músicas, nas piadas, nos jogos e principalmente nas conversas.

E depois de cair nessa "Ilha" vamos descobrindo seus segredos, revelados pelos moradores antigos de lá, conhecemos as "escotilhas" que acabam tornando nossas casas algumas vezes, os desafios de "ir caçar" alimentos em tempo difíceis (leia-se chuva, falta de dinheiro), os perigos sejam javalis selvagens, ursos polares, assaltantes de estudantes.

E nessa jornada no desconhecido vamos crescendo, sofremos mas tentamos aprender. Temos momentos de Liderança e momentos de fuga dela, até encontrarmos nosso Coelho Branco. Uns sentem que algo maior nos colocou sob o mesmo teto, a mesma "ilha", uma força superior ( destino ou coincidência ? Jacob ?). Criamos inimigos mortais. Os grupos se dividem, se unem para se protegerem. Alguns lutam para fugir, ir embora para "casa" enquanto outros aceitam seu destino e querem viver naquela ilha, temos Jacks e Lockes, cada um a sua maneira. Ou posso dizer melhor, temos momentos de Jack, de Sawyer, de Kate, de Locke, de Ben e quem sabe de Jacob.

Uns foram parar na ilha por azar do números ( contas erradas na hora do vestibular podem ter custado a aprovação em outra faculdade.... números malditos). Alguns começaram a andar depois de tempos numa "cadeira de rodas" pessoal.

O tempo nessa ilha também passa de forma diferente. Quem está nela sente a passagem de maneira peculiar, enquanto quem está fora sente de outra maneira. Chega a ser impossível explicá-la sem experenciá-la.

E chegamos ao ponto em que alguns partem e outros ficam. Mas basta um tempo longe da ilha para que alguém diga "We have to go back!". E nós temos que voltar. A ilha não é mais um lugar de passagem, mas também um ponto fixo (que pode mudar no espaço e tempo ?), onde muitos já viveram, foram embora e nunca conseguiram (ou puderam) voltar.

Às vezes somos tomados pelo impetuoso desejo de fugirmos, voltar para a "civilização", para "casa" e quando saímos de lá, o que encontramos ? A liberdade está no lugar ou está em nós ? A redenção é possível ? Qual é o nosso destino ? 

Ainda não encontramos essas respostas. Eu não. As viagens (no tempo ?) são necessárias, desgastantes, incertas.

Temos nossos dias de Walkabout, de Exodus, de Orientation, The Long Con que armamos, dias de Live Together, Die Alone, Every man for himself, Flashes Before Your Eyes,  quando nos sentimos Stranger in a Strange Land, encontramos The Man from Tallahassee e também The Man Behind the Curtain, ouvimos nossos Greatest Hits, e seguimos Through the Looking Glass.

Chegamos no 5º ano - The Beginning of the End, procuramos nossa Constante, conhecemos Kevin Johnson, vemos The Shape of Things to Come, acreditamos que There's No Place Like Home e Because You Left We have to go Back!

São os episódios das nossas vidas, da nossa série de encontros e desencontros, de conexões perdidas, de segredos, de esperança, de medo e principalmente de crescimento.

E em breve essa série se encerra. Então vamos aproveitar a última temporada e resolver todos os pontos que estão abertos.

Jacob espera isso de nós.

Namaste!

Amanhã no Blog

Para os milhares de leitores do Blog, anuncio que hoje (depois que eu acordar) terei um novo texto disponibilizado no site.

Uma homenagem aos Perdidos do mundo.

A vadia inconstante - a.k.a.* Destino

Numa recente conversa com um amigo, discutimos a veracidade do "tudo está escrito" contra "nós escrevemos nosso destino".

O quanto de controle temos sobre nossas vidas, nossas escolhas, nosso destino ( ou seriam destinoS ?) ? Será que temos um pouco ?

Dizer que tudo está escrito tira um pouco do nosso poder de livre-arbítrio que nos foi, divinamente, garantido. Então temos total controle de nossas vidas ?

Sim e não.

...

Pq ? Simples, temos o poder de escolher, mas só porque escolhemos não significa que teremos aquilo. Por exemplo, quero, nesse exato momento (01:31:45), ter um carro importado....

Estranhamente eu não o consegui. Mas eu queria, queria de verdade. Mas meu destino não mudou pela minha vontade. Estava escrito que isso aconteceria (ou não) ou eu apenas não fiz nada para que isso ocorresse ?

Essa resposta depende do leitor disso. A minha é a segunda opção. Simplesmente, não gosto de ser passivo com a vida, como se tudo acontecesse comigo e não por minha causa. Se sou causador da minha infelicidade também posso ser o causador do contrário e não culpar o panteão de deuses pagões pelas minhas tristezas.

Afinal, lamentar geralmente não resolve um problema. E muito menos culpar os outros.

Logo, se sou parte ativa da minha vida eu posso molda-la. Talvez errar, mas posso reparar o erro ( ou pelo menos tentar). Me sinto mais feliz assim, sendo culpado, responsável, causador e cúmplice do meus destinos.

E essa vadia inconstante. O que falar dela ? Alguns se assustam ao chama-la de vadia, mas nunca com sua inconstância. Se tudo está escrito, talvez seja o passado e o futuro está apenas no rascunho. A cada mudança de rua, de cor de camiseta, de carro, de filme preferido, estamos reescrevendo nosso futuro, muito provável, de maneiras que nem imaginamos. Mas estamos.

Sua inconstância a caracteriza como vadia ? Talvez. Ela é uma vadia quando não corresponde ao que esperamos e inconstante quando ela muda apesar de tudo apontar para uma certeza.

Isso dá graça à vida ? Não sei a resposta. Espero que sim, senão serei um bobo rindo de algo nem um pouco cômico.

Não deveriamos nos preocupar com mudar o passado, por hora isso é impossível. Então vamos nos preocupar com o que podemos fazer com o ocorrido. Às vezes é tarde demais para voltar atrás. Ou talvez não conseguimos o perdão que pedimos. Por hora, certas coisas são imutáveis. Mas a vida não.

Se existe uma constante no Destino é que ele sempre muda. Nunca é o mesmo que era há dois minutos.

Isso dá espaço para esperança. Esperança de que o destino seja tanto vadio e inconstante que o inacreditável possa acontecer. Às vezes para o bem, às vezes não.

Namaste!

* A.K.A. - abreviação do inglês de Also Known As (Também Conhecido(a) Como)
Um amigo que vale a pena ter

"Quando nos perguntamos honestamente quais pessoas em nossas vidas significam muito para nós, geralmente descobrimos que são aquelas que, ao inves de nos dar conselhos, soluções ou curas, escolheram compartilhar nossas dores e tocar nossas feridas com uma mão gentil e calma.O amigo que pode ficar em silencio conosco em momentos de desespero ou confusão, que pode ficar conosco numa hora de dor e luto, que pode tolerar não saber, não curar e nos encarar com a realidade de nossa fraqueza, esse é um amigo que vale a pena ter."