Assim, eu esperava. Uma frase simples, que sempre me fez bem. A esperança de que nem os monstros mais cruéis poderiam ser tão ruins quanto pareciam.
Não há de ser nada, dizia meus pais, minha vó, meus amigos. Não há de ser nada.
Talvez seja a lua, talvez o vento gelado, a solidão dos pensamentos. Não há de ser nada.
Com tantos sinais, tantos acontecimentos, talvez eu não esteja entendendo o filme que estou vivendo. Quase um filme de David Lynch, mas sem sua genialidade. Apenas um ator, confuso, sem rumo, tentando fugir de uma ausência de destino.
"Não há de ser nada... talvez seja apenas essa noite".
Repetia, tentando transformar em realidade as minhas preces, pra quem quiser ouvir.
Não muitos, de certo. Mas, esperança de que não fosse nada, me manteve atento.
Não há de ser nada. Assim espero.
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